Um apanhado geral de todas as câmeras

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Um pouquinho de história – e de estória tb. Um apanhado geral das camerinhas, desde minha primeira até agora

Eu sou um lomógrafo das antigas. Muito antes do movimento virar “moda” ou algo assim. Não quero, com isso, depreciar ninguém e nem me colocar como diferente – e muito menos melhor – do que alguém. Estou apenas situando uma posição.

Sou, além, de tudo, bastante “analógico”. Minhas fotos que obtiveram maior êxito ou repercussão, seja em exposições, seja onde for, foram feitas com filme. Uso bastante, além das Lomos, uma Nikon FM3, toda manual, com uma 50mm 1.4 fixa e uma 24 mm 2.8 fixa. E uso também uma Canon EOS3, com meu set de lentes Canon (o mesmo que uso quando fotografo com a digital).

Ultimamente, tenho também me divertido com as gadget cams do iPhone.

Outro dia li algo por aqui querendo comparar as fotos do iPhone com as da Diana (ou Holga, não me lembro bem). E eu particularmente acho que essa comparação é errada em todos os aspectos. Essa comparação é equivocada na essência, na forma e no conteúdo também. Vou escrever sobre isso num outro post, porque acho que “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

Na verdade, parece que alguns “puristas” lomográficos podem até estranhar a questão das camerinhas do iPhone, mas eu, mesmo sendo muito analógico e adorar fotografar com filme e especialmente com as Lomos, acho que tudo tem seu encanto. Mas, repito, essa discussão será objeto de outro post.

Aqui o assunto será a lomografia, pura e simples, sem discussões e nem polêmicas, sejam elas conceituais, operacionais ou práticas.

Um pouquinho de história, que está por ai e vários de vocês já devem saber. Mas não custa repetir – ai que alguém não sabe. O “movimento” lomográfico foi criado por jovens austríacos há alguns anos, quando começaram a fotografar com as antigas máquinas Russas LCA, com as lentes Minitar 1/32 2.8 e descobriram suas cores vibrantes, de forte contraste e bordas escurecidas. Dai em diante, foi criada a “Sociedade Lomográfica Internacional” e várias outras máquinas foram sendo desenvolvidas ou copiadas. Hoje, os Lomógrafos formam uma comunidade global cuja forte paixão é a fotografia analógica criativa e experimental. Lomografia é capturar o momento, com qualquer uma das várias câmeras existentes, produzindo efeitos como vazamentos de luz, enquadramentos diferenciados, cortes, duplas-exposições, vinhetas e cores profundas e saturadas. A Sociedade Lomográfica tem estado bastante ativa em inúmeras exposições em todo o mundo, mostrando milhões de fotos em galerias e festivais e também em sites específicos na internet, como parte do objetivo de manter a fotografia analógica viva e em pleno andamento. “O futuro é analógico”!.

Minha primeira câmera Lomo foi uma LCA, das Russas, originais, comprada faz uns 9 ou 10 anos, pelo e-bay, vinda da Sibéria, com toda aquela “emoção” do “será que vai chegar?”, “será que vai funcionar”? Chegou, funcionou – e funciona até hoje. Já que falei da LCA, vamos contar um pouquinho mais dela. É uma câmera com construção de metal, lentes de cristal, as famosas minitar, 32mm, abertura 2.8 (a minha tem a excelente lente Russa original, as atuais são câmeras replicadas na China pela própria Sociedade Lomográfica). Produz imagens com cores intensas, bem saturadas e apresenta uma ligeira vinheta nas bordas. É possível fazer dupla exposição, inclusive com o uso de um “sliptzer” que fatia a foto como vc quiser, expondo o fotograma em partes. Pequena, compacta bastante confiável. É, pode-se dizer, a Rainha das Lomos.

A segunda câmera que eu comprei (na verdade na mesma encomenda que trouxe a terceira e a quarta, das quais falarei logo abaixo) foi uma Holga 120. A Holga é um “tanque de guerra”, apesar de sua construção ser de plástico, ela é pau pra toda obra, até por sua construção ultra simples, tosca mesmo. O disparador é uma molinha, exposta e aparente. A câmera é uma caixinha de plástico (e, sim, sim, podem ocorrer vazamentos de luz, maiores ou menores, dependendo da sua câmera e de como vc fechou a tampa traseira. Se vc não gostar dos vazamentos de luz, nada que uma fita isolante não resolva). A lente é uma 60mm fixa, de plástico ( F 8 ) e produz vinhetas, saturação, distorções até. O foco é por distância e vc tem duas possibilidades de exposição. Usando filmes 120 podemos optar pelos dois formatos clássicos, com o uso de uma máscara que vem com a câmera. É possível fazer múltiplas exposições e os resultados são muito bacanas.

A terceira Lomo, que veio junto com a Holga, na mesma remessa internacional, já comprada através do primeiro (e na época único site da Lomography) foi a Action Sampler. Camerinha bem simples, de 4 lentes, estampando as imagens dividindo em 4 quadrados o quadro o quadro 35mm, com um pequeno intervalo entre cada um. A camerinha mal tem visor e é importante que o lomográfo se acostume com o enquadramento e também com o timming dos disparos. Me diverti um pouco com ela, mas me adaptei mais à Supersampler, da qual vou falar já já.

Junto com a Holga e a Action Sampler veio uma Color Splash, camera com um formato inusitado e que produz basicamente longas exposições, com o uso de um flash com gelatina colorida. Não usei muito a Color Splash, por razoes que nem eu sei muito bem quais são. Mas o fato é que ela ficou encostada, onde continua, porque posteriormente a ela comprei as Diana, que fazem igualmente a longa exposição e que também tem flashes com gelatinas coloridas.

Passado um tempo, fiz nova encomenda ainda no site internacional da Lomography. Dessa vez foram uma Holga 135BC e uma Supersampler.

A Holga 135BC é a irmã menor da Holga 120. Com a mesma cara, o mesmo conceito e a mesma construção da irmã maior, ela usa filme 35mm e é bem divertida. O BC do nome é Black Corner e significa exatamante que ela irá fazer uma interessante e bonita vinheta nos cantos da foto (tem também a Holga 135 sem ser BC). Uso bastante a Holguinha. Ela faz múltiplas exposições, tem duas velocidades de disparo, mais Bulb.

Junto com a Holga 135 BC veio uma Supersampler. Ela também é uma câmera multi lente, que produz 4 disparos no mesmo fotograma, mas ao contrario da Action Sampler que fatia o quadro em quadradinhos, a Supersampler fatia o quadro em 4 retangulos, um em seguida do outro. A camerinha é uma caixinha com as 4 lentes, sem visor e nem nada (tem um “guiazinho, mas que não serve para nada). Vc puxa uma cordinha, arma o mecanismo e dispara, ouvindo o zumbido das lentes se abrindo. O legal é vc se mexer ou que o objeto que vc está fotografando se mexa. Eu gosto bem mais da Super do que da Action. A minha primeira quebrou, mas depois comprei outra, que uso bastante.

E depois vieram as camêras da familia Diana. A Diana F+ e sua irmã menor, a Diana mini. São, provavelmente, junto com a LCA as câmeras que mais tenho usado atualmente.

Vamos começar pela Diana F+. Originalmente, usa filme 120 (mas é possível trocar por um back 35mm, com quatro máscaras, duas panoramicas e duas normais, sendo que uma de cada formato expõe também a parte dos furinhos do filme). Eu vario entre o 120 e o 35. A Diana F+ troca as lentes. Originalmente ela vem com uma 55mm, mas além dela eu tenho também uma fisheye 20mm e uma meia tele 110mm. Há também, mas eu não tenho, uma 38mm e ainda filtros close-up. A Diana oferece regulagens 4 regulagens de exposição, inclusive uma “pinhole”, além de bulb. Faz múltiplas exposições e tem um flash onde é possivel se adaptar gelatinas coloridas. É uma delicia fotografar com a Diana, sem contar que ela, em si, já é o máximo, totalmente lúdica e retrô.

E a Diana F+ tem sua irmã menor. A Diana Mini, para filmes 35mm. Com a mesma cara e conceito, a Mini tem uma lente fixa de 24mm (não é possível trocar) e também faz multiplas exposições e tem modo bulb. Vc pode escolher através de uma chavinha o formato “meio quadro”, com dois cliques distintos no mesmo fotograma (como nas antigas Olympus Pen, com as quais se vaziam aquelas fotos para ser ver nos monóculos) e o formato quadrado, muito interessante. Ela tb usa o mesmo flash, com gelatinas, de sua irmã maior.

Para terminar, tenho uma Fisheye II. Camera compacta, com uma lente olho de peixe de 16mm que produz as imagens “redondas” e super grande angulares.

Além delas, temos dois lançamentos, a Spinner 360, que gira em seu próprio eixo e produz uma imagem de 360 graus e a Panoramica Sprocket Rocket, recem lançada, que gera fotos panoramicas, com os furinhos do filme (os sprockets) aparecendo na imagem. Ah, já adianto que nas imagens ai abaixo o cara que scaneou cortou os furinhos, por conta própria, mas como estou sem outras para postar, vão essas mesmos, feitas com a Spinner

Há outras cameras, várias delas. A chique e cara Lubitel, as Horizon panoramicas, até as simples Pop9, passando por uma gama de versões.

Aqui está colocado um panorama bem geral das cameras lomo, com a descrição, idéia e funcionamento, de cada uma delas.

Agora cabe a cada um de vocês, leitores (terei eu leitores?) encontrar, com cada uma delas, a sua linguagem, seu caminho (e seu objetivo) e, especialmente, sua construção estética. Tenho dito por ai que, recentemente, com a “moda” analógica, muita gente tem saido por aí com as charmosas Lomos, mas sem nenhuma noção ou idéia fotográfica estabelecida. Com isso, há fotos e fotos sem qualquer interesse e com as cameras (que sao limitadas tecnicamente) utilizadas de maneira equivocada, com fotos sem exposição correta, sem foco, sem conceito, sem interesse. Há também os que acham que, por ser Lomografia, tudo é dispensável, até a estética e a beleza e o interesse. E não é bem assim… Ou melhor, não é nada assim. Mas isso também é objeto de um próximo post.

written by rickyarruda on 2010-12-14 #gear #review #cameras #lomo #historia

5 Comments

  1. caio-braga
    caio-braga ·

    Muito bom! Adorei o post.

    Acho bacana sua opinião sobre a "moda" e sobre as comparações equivocadas que se fazem sobre simuladores de efeito lomográfico ou coisa que o valha.

    É frequente (e muito chato, diga-se passagem) quando uma "ala" desdenha a outra: seja a ala da modernidade querendo "substituir" os métodos analógicos, seja o saudozismo exagerado querendo marcar território a qualquer preço. Tudo desnecessário. São coisas que pra mim não fazem sentido algum.

    Também acho que não importam os meios: uma boa fotografia se faz com SLR Digital, com Lomo, com Cybershot, iPhone e até com uma lata furada. O importante é a estética, o conceito e a emoção que o registro proporciona.

    É isso aí, Rick.
    Abaixo o preconceito.

  2. caio-braga
    caio-braga ·

    Saudosismo é com "S"...sorry. :)
    N˜åo revisem esse texto...rsrsrs....

  3. rickyarruda
    rickyarruda ·

    perfeito, caio.
    é isso mesmo.
    não podemos nos restringir a pensarmos a forma da captura unicamente.
    há espaço para tudo e todos.
    e há os que sabem fazer e os que não sabem.
    fique de olho por aqui que talvez ã eu consiga colocar no ar um post um pouco mais provocativo dessa discussão.

  4. henriquefs
    henriquefs ·

    Rick, parabéns pelo post. Sou totalmente novato na lomografia mas já percebi que é a minha grande paixão. Tenho pesquisado muito sobre isso e ate então não tinha encontrado algo tão esclarecedor como o seu artigo. Viajarei em algumas semanas e pretendo comprar minha primeira lomo. Poderia me explicar (pergunta bem leiga mesmo) a diferença entre a DianaF e a mini usarem filme de 120 e 35 mm? Em termos pratico, qual a diferença? Para revelação, você já usou aqueles minilab digitalizadores de negativo? Valeu!

  5. rickyarruda
    rickyarruda ·

    Oi @henriquefs a diana mini usa apenas filme 35mm (que é esse que vc pode revelar em qq minilab, que vem nos rolinhos que vc deve conhecer). Vc não pode usar filme 120 (que é um filme que não vem dentro do rolinho de metal, ele é maior e vem em carreteis - e não são todos os laboratorios que revelam).
    Ja a diana F originalmente usa filme 120, mas vc pode adaptar um back, para possibilitar o uso, também, de filmes 35mm.
    E, sim, normalmente eu mando revelar o filme e, em vez de printar todas as copías, apenas fazerem o scan (a digitalizacao) do filme

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