Anos amarelados

Remexendo nas pastas eletrônicas e me deparo com as fotos mais belas, de uma época tão distante, mas ao mesmo tempo tão próxima da nossa era da tecnologia. Um desespero temporal me abate, agora a única coisa que faço é olhar para essas fotografias e tentar imaginar um lugar, uma época onde o tempo não era pouco e os momentos não eram descartáveis.

Um fluxo de energia passou pelo meu corpo ao me deparar com essas imagens de 1900 e bolinha, onde o tempo era suficiente para tudo. Cada vez que olhamos o relógio parece que os ponteiros giram mais rápido, ou pelo menos que números digitais mudam mais rápido, a tecnologia cada vez mais apressa nossas vidas, nós querendo ou não. Para que parar para tirar uma foto, olhar, pensar, registrar, se podemos tirar quinhentas de momentos idiotas e sem emoção, e jogar em uma pasta eletrônica perdida, mandar revelar então, que suplício não? Quem tem tempo para mandar revelar as fotos em uma laboratório longe de casa, de comprar um filme, de rebobinar um filme, de trocar um filme? As pessoas perderam a noção do tempo, não apreciam mais os melhores momentos, que são os do processo, processo de tirar, tirar e tirar, sem saber exatamente o que está tirando, processo da expectativa gerada, da espera, da ansiedade de ver as fotos prontas, da decepção muitas vezes quando não saem do jeito esperado, ou da surpresa de quando saem mais malucas e diferentes possiveís.

As pessoas estão mimadas, querem tudo na hora e de seu jeito, não tem paciência, não sabem mais o que é decepção e surpresa, estão se alienando da vida real, da vida simples, dos sentimentos mais puros do ser humano, agora é a era do digital, à longa distância, sempre tendo uma tela no meio de tudo, um jeito mais rápido e intantâneo de se fazer.

Olhando essas fotos me lembrei, mesmo não tendo presenciado época tão diferente e magnífica, o quanto é bom aproveitar cada momento, cada click, quanto a vida era mais simples, e como era tão mais fácil alcançar a felicidade ( com suas excessões é claro, guerras e companhia, mesmo a gente tendo hoje também).

Tenho saudade do que nunca vivi, e talvez seja por isso que venero tanto épocas passadas. Acho que encontrei na lomo o que estava faltando em mim, uma vontade maior de viver, de registrar, de criar espectativas, de ser decepcionada e ao mesmo tempo surpreendida, apenas uma vontade maior de ser tudo, de ser nada, de ser.

written by camarques13 on 2011-05-13 #lifestyle #preto-e-branco #crianca #soldado #fotos-antigas #pai-e-filha #anos-50

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