O Futuro é Analógico?

Por que o analógico e o digital convivem numa boa na música, mas não na fotografia?

Trabalho com música há mais de 15 anos. Quase 20 na verdade.

Fazendo as contas isso nos leva de volta ao começo dos anos 90, começo da “Lomografia” e um momento em que todos os estúdios de som estavam trocando seus gravadores analógicos por digitais.

Máquinas de rolo Studer de 2’ sendo substituidas por pilhas de ADATs. Mesas analógicas dando lugar a mixers digitais. Uma época de som cristalino e transparente mas, na minha humilde opinião, sem vida e inócuo.

Não demorou para todo mundo (que trabalhava com música) sacar que a sujeira e a imprecisão dos equipamentos analógicos acrescentava alguma coisa inexplicável ao som.

E essa sujeira não era possível de ser obtida com a tecnologia digital da época.

Então toca tirar o pó do equalizador antigão, limpar o cabeçote do gravador de rolo outra vez, e botar tudo pra funcionar. Equipamentos analógicos e digitais começaram a se integrar, a as opções criativas dentro de um estúdio se multiplicaram. Hoje alguns compressores e pre-amplificadores antigos chegam a custar 100 vezes mais que o preço original. E emulações digitais de equipamentos de audio antigos viraram febre tanto entre amadores quanto profissionais.

Hoje 90% dos estúdios de gravação “de gente grande” ainda usam mesas analógicas de mixagem, e quase tudo o que ouvimos de música atual tem algum “segredinho”, algum microfone, sintetizador ou efeito que confere uma aura especial, uma personalidade única ao som.

Ok. Estou escrevendo sobre audio e música num blog de fotografia. Você já deve ter se ligado que eu vou fazer algum tipo de comparação entre fotografia e audio.

Essa comparação é bem óbvia pra mim. Cameras fotograficas digitais são maravilhosas, praticas e relativamente baratas. Mas algumas texturas e imperfeições são impossíveis de se obter digitalmente. Sem falar no imprevisto e no inexperado. No “erro” ao expor demais ou de menos o filme e se surpreender com o resultado.

Em fotografar sem preocupação, sem pressão. Se divertir! Eu descobri isso brincando com minhas “toy cameras”. Descobri um vício bom que não quero largar de jeito nenhum.

E acabei levando isso pro estúdio: apontando o microfone pro “lado errado” do violão, usando pedais de efeito podres, sintetizadores de brinquedo, gravando com microfones baratos e cheios de personalidade, e me divertindo muito fazendo música.

Por isso eu não entendo quando algum fotógrafo “profissional” entra em um forum de discussão, ou mesmo engata um papo mais acalorado na mesa de um bar, tentando provar que cameras de plástico são um lixo e filme é coisa do passado.

Esse cara não entendeu que o analógico e o digital podem contribuir um com o outro.
Que sua SLR mega-ultra-moderna ainda depende da lente, do espelho, e da experiência de quem está fotografando. E que os sensores digitais estão emulando um filme.

Talvez esses caras devessem entrar num estúdio de gravação hoje em dia pra se ligar que o futuro já é analógico faz tempo.

written by felipevassao on 2010-06-03 #gear #tutorials #tipster #musica-analogico-digital-toy-camera

More Interesting Articles