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Conhecendo o céu de Brasília

A convite de duas amigas muito queridas que conheci ainda na escola, fui pra famosa cidade inventada por Juscelino: Brasília.

Nunca tive muita curiosidade pra conhecer a cidade em forma de pássaro, ou avião, pros mais tecnológicos. Brasília é conhecida de muitas maneiras: a cidade construída, a cidade dos carros, a capital do Brasil, a cidade da arquitetura contemporânea e assim por diante. Tudo isso me evocava apenas burocracia, frieza e dureza.

Mas, depois de namorar um rapaz que lá tinha habitado e me contado em tom floreado sobre os céus riscados, vistos de todas as pontas sem fim, das cores, das águas das cachoeiras várias a serem descobertas, das pedras onde se bebe e conversa até de madrugada, a coceira da curiosidade me pegou e passei a querer conhecer tal lugar ambíguo em que natureza viva e morta duelam na paisagem.

Compradas as passagens com um mês de antecedência, nós três chegamos no início de dezembro e ficamos hospedadas na casa de uma de nós, cujo pai mora numa daquelas Asas. A sul.

Conhecemos os monumentos principais, coisa que todo turista faz, de praxe. Resolvemos as pendências clichês no primeiro dia. Palácios de todos os tipos e tamanhos, catedral, um iglu que se pensa museu, a ponte futurista e as ruas desertas de pedestres. Tudo isso a luz de um céu diferente. Não aquele avermelhado que preenche as fantasias do centro oeste brasileiro, mas um azulado cinza, herança de uma chuva tímida, que colocava os pingos pra fora a cada três horas. Ainda combinando o clima com o filme positivo (slide) de iso 100, Brasília ficou captada num tom futurista apocalíptico.

Da feirinha debaixo da famosa antena, só ficaram as flores de mentira e do Parque da Cidade, que parece não ter cuidados desde 1970, a única parte que nos captou o olhar, foi um pequeno prado de flores silvestres que dançavam no ritmo do vento e nos convidavam a pensar nuvens.

A cidade em si é realmente pequena, mas distante com seu pré requisito automobilistico. As pessoas são simpáticas com seus sotaques variados de quem já veio de outras partes, mas a frieza do concreto e das linhas retas e curvas prevalece.

Eu, que contava com céu claro, evidente, avermelhado e seco, fui recebida com um excepcional e inesperado enuveado e umedecido cinza azulado.

As aventuras com as amigas foram ótimas. Desde o desvelamento de um grupo mineiro, por apenas 10 reais, chamado Graveola e o Lixo Polifônico que cantava músicas de todos os ritmos brasileiros e afugentava a solidão, até um concerto de quase três horas de um mestre do sopro, Carlos Malta, no Clube do Choro da cidade.

Como em muitos casos, uma viagem que só foi completa pela boa companhia, de um céu cuja cidade vale a pena conhecer.

written by hiperativa

1 comment

  1. xteca

    Lindas fotos. :)
    over 2 years ago · report as spam

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