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Um teto para o meu país - OSASCO

Eu não sei quanto me envolveria nessa história toda, sei que não consigo parar de pensar um só minuto! UM TETO PARA O MEU PAÍS é uma ong que atua em diversos países da América Latina que tem voluntários universitários que constroem casas de madeira em dois dias para as famílias mais pobres das comunidades mais pobres, que tem suas casas nas piores condições possíveis. E por essa ong, tive a oportunidade de entrar em uma favela em Osasco, de conhecer as famílias mais pobres e mais incríveis, de entrar em barracos que nunca teria imaginado do jeito que realmente são e de conhecer como essas pessoas que estão tão distante da gente mas ao mesmo tempo tão próximas.

A família que é escolhida para a construção da casa (a ong tem seus critérios), tem que desmontar sua casa antiga um dia antes da chegada dos voluntários, para que no terreno seja possível a construção de uma nova casa. Apesar do barraco da Fátima (mãe solteira de 4 filhos) já estar desmontado, quando chegamos lá, tinham muitos carpetes no chão, pois o chão era de terra batida, tivemos que tirar esses carpetes que já estavam incorporados no solo argiloso, ao tirarmos esses pedaços de pano, lacráias apareciam, minhocas surgiam se mexendo daquele jeito asqueroso, tatus bolas brotavam, eram montes e mais montes de tatus bola. Fiquei chocada, como algum ser humano poderia viver daquele jeito? Me perguntava.

A situação da Fátima não estava nada boa, sua casa era um barraco, todo de maderite, disse que quando chovia molhava tudo, isso com 4 crianças dentro da casa. Não cheguei a ver o barraco antigo, mas fomos almoçar no primeiro dia de construção na casa de uma vizinha da Fátima, era um barraco em situação precária também, muito precária, não conseguia parar de pensar, não consigo parar de pensar como alguem pode viver desse jeito. Sempre passamos na frente de favelas, vemos esses barracos de longe e as vezes tentamos imaginar como deve ser dentro, nunca na minha vida imaginária o que vi, o que presenciei. O que me deixava mais inquieta era o fato de que não era apenas duas ou três famílias naquela situação, mas sim milhares, e milhares muito piores.

As crianças brincando em um campinho que segundo a Rose, vizinha que almoçamos na casa no segundo dia de construção, é onde os homens “apagam” os traídores, devedores, ou alguém que por algum motivo tenha que estar a sete palmos. Depois os corpos são levado pra cima do morro, onde tem um lixão, que inclusive tem um barraco bem do ladinho de toda essa sujeira, literalmente.
As crianças uns amores, ficavam nos ajudando com a construção (mais na parte do divertimento mesmo). Todo mundo super receptivos, com histórias tristíssemas para contar, lágrimas nos olhos, vidas sofridas.

Cada pessoa que passava, seja um vizinho, um morador da comunidade iam averiguar o que estava acontecendo ali, na casa da Fátima, que mudança estava prestes a acontecer na vida dessa mulher.
Poderia ficar aqui o dia inteiro falando sobre essa experiência, mas acredito que no momento como não consegui digerir essa história direito, não sei se vou, não vou conseguir escrever tudo o que tenho para escrever.

Essa foi a primeira vez que UM TETO PARA O MEUS PAÍS fez construção com voluntários colegiais, foi uma parceria das escolas Lourenço Castanho e Carandá, construímos três casas. O mais gratificante foi a entrega da casa para a família, todo mundo ficou muito emocionado, do chão com minhocas, para uma casa que tem teto, telhado. Alguns do voluntários não conseguiam parar de chorar, a emoção é enorme, todos os vizinhos, as crianças, todo mundo torcendo pelo o outro. A nova casa é só um começo.

Levei a minha canon F1 e a mini diana, mas como sou meio novata no assunto, as fotos ficaram péssimas, fiquei muito triste, pensava em cada fotografia, sonhei com cada uma delas, mas coisas chatas acontecem. Coloquei algumas fotos da máquina digital só para ilustrar melhor essa experiência do que com as fotos toscas que tirei.

written by camarques13

2 comments

  1. liviacteixeira

    liviacteixeira

    Que experiência, hein!
    Não fique triste com as fotos... principalmente quando começamos, as câmeras nos pregam muitas peças, faz parte ;)

    almost 4 years ago · report as spam
  2. camarques13

    Enorme, foi bem legal, dificíl, mas legal!
    Enquanto as fotos, já estou mais conformada, aos poucos vou aprendendo a mexer! É a vida!

    almost 4 years ago · report as spam

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